DIÁLOGOS

Desde a invenção do “jornal” graças ao papiro na antiguidade, até à infinidade de redes sociais contemporâneas e passando pelo telefone, telegrafo, Morse, rádio, televisão, fax, Internet… os humanos empenharam-se por forma a facilitar a comunicação entre si. Nesse processo a tecnologia sempre teve um papel importante. O que nem sempre foi bom para nosso planeta Terra…

Felizmente ainda existem pelo Mundo formas de comunicar com os meios à mão; canais marginais, artesanais, frutos da criatividade e da sabedoria popular em que o diálogo não precisa da intermediação da tecnologia.
Esses meios têm diversas formas – cantos, improvisos, percussões, desafios, assobios e toda a espécie de ruídos… Encontramo-los em todos os continentes, em todas as culturas, em todas as épocas. Mas é curioso notar a dimensão universal dessas formas de dialogar, pois cada uma delas repete-se de maneira bastante semelhante de um lugar a outro do planeta, ainda que com características próprias.

Através de alguns exemplos, a exposição Diálogos faz confrontarem-se a diversidade e a semelhança, o regional e o universal, o singular e o plural dessas maneiras de dialogar que os povos criaram e continuam criando para melhor entenderem-se.

Estruturada em torno de três partes, a exposição percorre três formas de diálogos.
A primeira  mostra  o parentesco entre os trovadores da idade média e os músicos do rap contemporâneo cuja arte esta baseada num dialogo implícito entre o artista e seu publico. Nessa mesma parte, vemos como a tradição medieval europeia se expandiu pelos diversos continentes do planeta até hoje.

A segunda parte trata das linguagens destinadas a driblar a censura, a repressão, a interdição. Quais foram as maneiras que comunidades oprimidas, proibidas de falar – escravos, militantes políticos, praticantes de religiões – usaram para dialogar secretamente. Entre estas encontramos a percussão, o disfarce, o “fazer de conta”, o canto e a dança teatral.

A terceira parte debruça-se sobre as linguagens destinadas a estabelecer um diálogo entre pessoas que se encontram muito distantes umas das outras. É o caso das línguas assobiadas ou das linguagens a partir de tambores e percussões, como as que praticam os Índios Bora, Witoto ou Ocaina na região amazónica mas também diversos povos em África.

A atualidade mundial sugere haver uma certa dificuldade entre povos em comunicar, em se entender. No entanto, o ser humano tem uma capacidade ilimitada em criar modos de comunicar. Sem ser exaustiva, – longe disso! – a exposição tem por objetivo mostrar o quanto a imaginação humana cria, inventa e encontra soluções para dialogar.

Dominique Dreyfus

Dominique Dreyfus é uma artista e jornalista francesa e uma das principais historiadoras de música brasileira. Doutora de estado em civilização brasileira pela Universidade...

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